a experiência humana só terá sentido se algo para lá do humano vier em nossa ajuda, em nosso socorro. o nosso drama é que a única coisa que desse género ou natureza parece poder vir é a morte, a nossa própria morte.

23 de março de 2007

Não te chamo triste, noite

todo eu sou o corpo desta dor dissimulada numa angústia que me leva pela noite dentro


não durmo

estou de vigilia

algo acordou em mim e agora sou eu que não adormeço,

que não consigo dormir,

que não tenho paz,

tranquilidade.



o que a tristeza faz a um rosto humano!

penso em mil e uma revoluções adiadas.

penso no tangível.

desejo de nenhures, de ir,

há algo a parir dentro de mim,

estou grávido,

uma vida que se agita,

o apelo alegre de uma vida que se agita.


Não chamo tristes a estas horas.

2 comentários:

  1. um dos mais belos trechos que li, há mais que poesia em ti: há um esboço de génio.

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