a experiência humana só terá sentido se algo para lá do humano vier em nossa ajuda, em nosso socorro. o nosso drama é que a única coisa que desse género ou natureza parece poder vir é a morte, a nossa própria morte.

19 de setembro de 2006

Tocam as duas horas nos sinos de S. Vicente de Fora. Fosse tão pontual a minha vida. Estou só como sempre estive, como sempre estarei. A minha dor é inextinguível. Não tem principio nem fim e além disso, não existe. É uma convenção. Convenciono que esta incompletude é a minha dor. É uma convenção poética. Digo que tu és o meu amor. Outra convenção. Nem tu nem a minha dor existem. Só eu.Com a cabeça a arder de uma vontade de rebentar mas ainda assim, indolor. São duas horas ali ao fundo nos sinos de S. Vicente de Fora. Eu estou só, como sempre estive. Agarrado a convenções. A coisas que não existem. Ou que só existem na medida em que as convenciono.

2 comentários:

  1. Padeço da mesma convicção.

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  2. E se o que eu sinto não existe, se amor e dor não existem, o que me define?

    Abraços, bom fim de semana.

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