a experiência humana só terá sentido se algo para lá do humano vier em nossa ajuda, em nosso socorro. o nosso drama é que a única coisa que desse género ou natureza parece poder vir é a morte, a nossa própria morte.

18 de janeiro de 2006

Oração descrente

Procuro uma fúria furiosa. Um sinal de terra, de pó dos caminhos nos meus cabelos. Uma fúria que arrebente com a modorra. Com o não saber viver. O meu não saber viver. Preciso de ter as mãos sujas. As mãos sujas com o sangue das luas femininas que já amei. Dai-me também coragem.

Falta-me a coragem para fazer o que digo, o que já não digo.

Não preciso de tempo. O tempo que me deste basta e até é demais. Sobram-me as horas, os minutos e os segundos que consumo neste não saber.

Quero que me ensines a rezar.

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